O que queremos

As cidades escondem rios subterrâneos e córregos sob o asfaltos e edifícios, o que ocasiona inúmeros transtornos e separa ainda mais as cidades de seus cidadãos.

Inúmeras iniciativas vêm sido realizadas com sucesso ao redor do mundo com o objetivo de “trazer de volta” à cidade esses rios e córregos soterrados, com resultados surpreendentes, contribuindo com soluções ambientais, urbanas e sociais.

  • Redução de inundações
  • Conservação de águas submersas
  • Reestabelecimento da vida animal e vegetal
  • Combate à poluição e redução da temperatura nas cidades
  • Áreas de lazer e transformação urbana

Abaixo apresentamos alguns desses exemplos:

Parque Madrid – Rio Manzanares

O asfalto virou grama em Madri! A prefeitura resolveu devolver às pessoas o espaço antes ocupado apenas por carros, ao transformar uma das maiores marginais da cidade em um parque de 9 km de extensão. A avenida, que antes poluía e separava bairros e pessoas, agora é o ponto de encontro de muitos madrileños que redescobriram uma área quase abandonada do centro e do Rio Manzanares.

Construído em apenas quatro anos, o Parque Madrid Río, como foi batizado, reúne desde pracinhas e fontes para as crianças se divertirem até calçadas, ciclovias e túneis, que facilitam o deslocamento. Além disso, o espaço segue um plano de integração completo já que além de unir fisicamente os bairros, também possui dezenas de estações de metrô e trem, conectando zonas da periferia ao centro.

Já antigas instalações – como os matadouros, por exemplo – estão sendo reformadas e abrigarão futuras exposições e estúdios de arte e dança, fomentando o cenário cultural e criativo de Madri. Todas essas mudanças “verdes” no centro da cidade vêm agradando, especialmente, os moradores da região que foram os maiores beneficiados com a transformação.

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Yonkers, NY – Saw Mill River – A água ajuda a reviver uma cidade industrial acabada

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O Saw Mill River sendo encoberto na década de 1920.

Por quase cem anos, a quarta maior cidade de Nova York esteve sobre um rio escondido. O Saw Mill, ou Nepperhan (“pequena água rápida”, seu nome nativo americano original).

Paul Summerfield, engenheiro da cidade de Yonkers, diz que na década de 1920, o crescimento da indústria e da população transformou o rio em “um esgoto a céu aberto.” Em 1925, um trecho de 800 metros de comprimento foi convenientemente descartado, enterrado em uma galeria de aço e concreto, ou um conduto, com aproximadamente 3 metros de altura e 6 metros de largura.

De lá para cá, as então prósperas usinas que funcionavam junto ao rio desapareceram e empresas, como a famosa empresa Otis Elevadores, sumiram. Por vários anos, no lugar do ativo rio Saw Mill, havia não mais do que o desinteressante estacionamento do escritório do departamento de Veículos Motorizados de Nova York de Westchester.

“Alguma coisa precisava mudar em Yonkers”, diz Ann-Marie Mitroff, diretora de programas fluviais da organização sem fins lucrativos Groundwork Hudson Valley, um grupo que trabalha pela saúde ecológica do rio Hudson e seus afluentes (o Saw Mill entre eles) e das comunidades do seu entorno.

Por volta de 2005, a Groundwork recrutou estudantes de design da Universidade Columbia e outros a fazer alguns “desenhos preliminares” de como o rio pareceria se fosse ser trazido para a superfície, ou “à luz do dia”, diz Mitroff.

O Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA e outras agências, juntamente com o ex-governador de Nova York George Pataki, emprestaram o seu apoio à ideia. Por fim, os defensores do rio se juntaram e alinhavaram financiamento de uma variedade de orçamentos para iniciativas de limpeza de águas para pôr o projeto em andamento.

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O plano final, que teve início em 2010, situa o rio Saw Mill dentro de uma faixa de 250 metros de uma bucólica paisagem fluvial restaurada. Quando estiver concluído, o parque incluirá um anfiteatro de 1.000 lugares e acomodações para as artes, organizações comunitárias, mercados públicos e outras atividades, juntamente com espaços tranquilos onde os visitantes poderão contemplar a natureza, mesmo estando no centro da cidade.

No último outono, os engenheiros abriram o conduto e entregaram o rio Saw Mill no seu leito reconstruído – e à luz do dia pela primeira vez em quase um século.

Agora, com o Saw Mill trazido à luz do dia, logo começará a atrair novos locais para jantar, desenvolvimento e comércio para o coração de Yonkers: “Quem não gostaria de um escritório com vista para um espaço aberto maravilhosamente restaurado, com água correndo pelo centro da cidade? ”

[*] Tradução livre e reedição de trechos do texto original – David C. Richardson escreve sobre ciência, meio ambiente e política social de Baltimore, Maryland – http://grist.org/cities/river-rising-water-helps-revive-a-washed-up-industrial-town/

Revitalização do Córrego Pirarungáua

O Jardim Botânico de São Paulo reabriu em, 08.11, seu portão principal para visitantes, a chamada “Portaria 1”, na Av. Miguel Stéfano, 3031 – Bairro Água Funda, que esteve fechada nos últimos meses, para as obras de revitalização do Córrego Pirarungáua, um dos formadores do Riacho do Ipiranga e cuja nascente encontra-se dentro dos limites dessa unidade de conservação.

Os visitantes terão uma bela surpresa: a “Alameda Fernando Costa”, logo depois da entrada e que dá acesso ao Museu Botânico, que foi totalmente reformada, teve seu calçamento retirado e deu lugar a um bonito “deck” de madeira, com 240 metros de comprimento, que acompanha o córrego, ladeado majestosamente pelos jerivás plantados na década de 40.

O Córrego Pirarungáua começou a ser revitalizado em março de 2007. O projeto contemplava as obras que trouxeram à luz as águas que corriam por um canal subterrâneo construído em 1940, sem muita tecnologia, com paredes de tijolo e uma laje embaixo. Hoje, a obra atendeu os princípios estabelecidos no Plano de Manejo do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, que fornece diretrizes para recuperação dos corpos d’água.

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A revitalização ocorreu em função do desmoronamento de um trecho da Alameda Fernando Costa, que cobria o córrego. Os técnicos constataram que o local estava condenado por inteiro, do ponto de vista estrutural. Por isso, o local foi aberto, canalizado e todo um trecho foi reconstruído. O calçamento foi retirado e, com a recuperação das margens do Pirarungáua, o córrego voltou a correr a céu aberto.

As obras, incluindo a construção do “deck” de madeira de eucalipto de reflorestamento, tratado para suportar intempéries, foram orçadas em R$ 1,4 milhão. A fila de jerivás, plantados na década de 40 por Frederico Carlos Hoehne, criador do Jardim Botânico, permaneceu e continua dando o caráter monumental à entrada do parque. A revitalização abrangeu a regeneração e paisagismo das margens do córrego, com utilização de espécies da Mata Atlântica retiradas de locais por onde passará o trecho sul do Rodoanel. E o corredor de entrada foi, ainda, todo adaptado para permitir a acessibilidade de pessoas com problemas de locomoção.

A proposta tem duas questões importantes. A primeira é a recuperação do próprio Riacho do Ipiranga e a segunda contempla a regeneração das margens com a vegetação do parque para que o visitante posa caminhar ao longo do córrego por jardins de Mata Atlântica.